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COMUNICAÇÃO FAMILIAR 
 

Pr. Gesse Luiz Rosa


Dirigente da Congregação da Assembléia de Deus em Curitiba - Pinheirinho


O homem é um ser sociável, e no exercício da sua sociabilização existem alguns elementos primários na formação de todo ser humano: a argumentação, o convencimento e a persuasão. Esses elementos trabalham entre a razão e a emoção. O discurso do educador permeia esses campos na formação do educando, e é através desse processo que se estabelece o perfil e o caráter (personalidade) das pessoas desde seus primeiros dias de existência. São três níveis da comunicação para a formação do ser humano:


Argumento


O argumento é o primeiro nível usado pelo educador. Neste primeiro aspecto o educador trabalha no campo das idéias, ou seja, no mundo das informações administrando a comunicação. O desvio de comportamento e caráter de muitas pessoas acontece por falta de conhecimento para argumentar, ou por argumentos bem articulados, mas de teor nocivo para a formação do caráter e da personalidade num sentido lato.


Convencimento


No segundo nível, o educador trabalha na esfera do intelecto, o mundo dos paradigmas, proporcionando razão pela lógica discursiva do educador. O convencimento não se trata de esmagamento daquilo que o educando crê, mas é um processo cooperativo da parte do educador para levá-lo a um denominador comum.


Persuasão


Esse nível é a ultima estância na arte de educar, ele atinge o campo das emoções, ou seja, o mundo dos sentimentos. O educador não pode esquecer da regra primária para formação humana, sem o uso do argumento, o processo da persuasão fica comprometido. O argumento sempre foi um desafio para a formação do cidadão. O avanço científico pôs a humanidade diante de duas duras realidades para serem refletidas no processo formativo da família. Forçosamente estas duas realidades mudaram o curso do argumento, essas realidades consistem na explosão demográfica e a cultura de massa.


1- Explosão demográfica


Cientistas do século passado já advertiam sobre o crescimento demasiado da população, cujas alterações trariam seriíssimas conseqüências na ordem social. Os argumentos na educação forçosamente são mudados quando se trata de um número maior de pessoas no seio da família, essas alterações seguem seu curso em escala mundial. Os argumentos de líderes religiosos e governantes são alterados com novos conhecimentos e novas descobertas para o gerenciamento social e governamental.


2- Cultura de massa


A manipulação da massa humana pela mídia atual, tornou-se um ranço na sociedade de nocividade incalculável. Sua ação devastadora tem desestimulado a verdadeira cultura (educação) de base. A cultura de massa vem tolhendo o crescimento racional da população, é um meio de cultura que se prende ao mundo das emoções vendendo ignorância, futilidade, promiscuidade e indiferença social, formando uma sociedade egocêntrica e indiferente. A cultura do século XXI está dificultando o relacionamento interpessoal no seu todo. Essas barreiras na sociedade pós-moderna está causando lentidão na educação relacional, no desenvolvimento da razão e, sobretudo o esfacelamento da família.


Saber argumentar é, em primeiro lugar, saber integrar-se ao universo do outro. É também, obter aquilo que queremos, mas, de modo cooperativo e construtivo, traduzindo nossa verdade dentro da verdade do outro. O verdadeiro sucesso depende da habilidade de relacionamento interpessoal, da capacidade de compreender a comunicar idéias e emoções.


AS TRÊS PRINCIPAIS ERAS LITERÁRIAS DA FORMAÇÃO FAMILIAR


Ao longo dos séculos a formação familiar foi submetida a paradigmas diferentes, que denotou épocas e estilos totalmente distintos um do outro. Os sistemas e estilos educacionais no tocante a formação familiar são conhecidos como patriarcalismo, nuclear e individualismo. Esses sistemas são os que determinam o perfil e o caráter da sociedade em cada época.


Sistema Patriarcal


A educação patriarcal teve uma boa longevidade, ela está no seio de todos os sistemas governamentais em nosso país e em escala mundial. A sociedade pós-moderna tem aversão à algumas formas de conduta do sistema patriarcal, mas muitos aspectos desse sistema educacional está fazendo falta em nossos dias.


No sistema patriarcal, o jovem casava levando para o seu bojo familiar uma autoridade de governo familiar, e ao estabelecer as suas gerações, exercia influência de caráter educacional nos filhos, nos netos e bisnetos, ou seja, o patriarca era a fonte do saber, que norteava a formação familiar de todos os seus descendentes. Esse sistema permitia que as famílias fossem mais relacionais, cuja fonte de vínculos fraternos era os pais. O patriarcalismo produzia uma sociedade mais humanitária e com interesse cooperativo um pelo outro, apesar de alguns paradigmas rudes e as vezes esmagadores. A pós-modernidade tem saudades de algumas de suas nuances, principalmente quando referimos ao desequilíbrio comportamental dos jovens e adolescentes da sociedade vigente.


Sistema Nuclear


Com a evolução industrial e tecnológica houve uma mudança de comportamento familiar e conseqüentemente social. A relação familiar foi se desprendendo dos laços que uniam pais e filhos, avós e bisavós. Esse novo sistema empreendeu atenção restrita a pais e filhos debaixo do mesmo teto, criando um desligamento da parentela num sentido lato. Os laços familiares foram diminuindo e a convivência passou a ser esporádica e distante. Com essa nova forma de ver o mundo social, os idosos perderam sua influência educacional e social, o idoso que era o espelho do saber perdeu sua importância no mundo pós-moderno.


Essas quebras de paradigmas foram influenciadas pelo avanço do capitalismo e naturalmente pelo avanço da ciência. As novas modalidades de vida demandam mudanças de comportamentos educacionais, a ciência e o capitalismo propiciaram muitos recursos que melhoraram a qualidade de vida social em alguns aspectos, mas tiraram muitos valores que eram fundamentais para a estabilidade familiar. Essas perdas contrapõem a nossa formação cristã em muitos aspectos, pelo fato de que a bíblia traz uma educação patriarcal, e esse destoamento ideológico entre a bíblia e a pós-modernidade provocou uma turbulência comportamental, dificultando o discernimento entre o sagrado e o profano.
 


A igreja teve que buscar alternativas que permitissem a sua influência na sociedade nuclear. Forçosamente teve que lutar por uma visão mais evoluída, para ler o cenário do novo mundo. O próximo é o sistema que estamos vivendo, essa filosofia de vida pós-moderna é muito hostil para a saúde cristã, julgo ser a mais voraz contra os princípios bíblicos; nós o conhecemos como sistema individualista. Essa nova temática dá asas a uma terrível peste do século chamada de egoísmo.


Sistema Individualista


A temática vigente propicia liberdade de escolha para todos os níveis de idade, tolhendo os pais de exercerem influências nas tomadas de decisões dos filhos. O texto áureo dessa nova forma de educação faz apologia da contemplação de todos os desejos; “todos os desejos do seu mundo sensitivo sejam contemplados”, ou seja, siga os desejos do seu coração, se tiveres vontade faça; não importam as conseqüências.


A liberdade excessiva aumentou a prostituição, as dependências químicas, à delinqüência e outros males do mundo pós-moderno. A nova forma de educação diz que não pode ser cerceada a liberdade de escolha, e a cada momento a televisão está dizendo: “Se o seu coração deseja, faça”, a bíblia diz o contrário: “As nossas vontades devem passar por um crivo, obedecendo a um processo seletivo, o bom senso tem que prevalecer, pois existem muitas vontades que são nocivas para a formação do indivíduo”. A palavra de Deus diz: “enganoso é o coração do homem”. A liberdade de escolha para uma criança e um adolescente não caracteriza responsabilidade pelo fato do indivíduo ser imaturo e cognitivo. São essas liberdades de escolha que encheram a famosa FEBEM e as cadeias do país, criando uma superlotação no sistema de carceragem da nação.


O sistema individualista fracionou a família, hoje uma moça chega a sua maior idade e já está postulando pelo direito de morar sozinha, o rapaz da mesma forma, ambos abandonam o lar antes do casamento, adquirem o hábito de viverem sozinhos e quando tentam um casamento não conseguem levar avante, por terem adquirido a prática da solidão e não se sujeitam mais a ninguém.


Dentro dessa visão é que se forma uma sociedade individualista. Muitos filhos são criados sem participarem da união conjugal dos pais, eles não conseguem buscar uma identidade relacional por serem criados sozinhos e essa solidão desencadeia uma série de prejuízos na composição da sociedade, sendo uma prática de formação contraditória à  bíblia, que desaguou no mar do individualismo.


  O grito dos atalaias põem o exército de Deus em prontidão, há  um inimigo terrível minando as bases sólidas da igreja do Senhor nos últimos    dias, que chamamos de “egocentrismo”. Cada indivíduo na pós-modernidade é ensinado a viver em torno dos seus próprios interesses, independente dos prejuízos de quem está à sua volta, o importante é sair-se bem. As palavras de Jesus contrapõem esse sistema quando disse: honra teu pai e tua mãe, e amarás o próximo como a ti mesmo. Mt. 19, 19. É um grito de alerta contra os tempos trabalhosos da igreja na terra. A estabilidade da sociedade depende de uma boa estrutura na família, mas Satanás está apostando na desestruturação dessa obra prima de Deus na terra

Assembléia de Deus
www.assembleiadedeus.org.br


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