2020 – ANO DA CONSCIENTIZAÇÃO DA OBRA MISSIONÁRIA

 

O FRUTO DO ESPÍRITO

O fruto do Espírito é a expressão da natureza e caráter de Cristo através do crente. É a reprodução da vida de Cristo na vida do cristão.

O Espírito Santo deseja mudar o nosso caráter, através da conversão a Cristo.

A Palavra de Deus na Epístola do apóstolo Paulo aos Gálatas 5.19 a 21 assegura que as obras da carne são conhecidas as quais são: Prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro como já, outrora, vos preveni que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.

Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama de “O Fruto do Espírito“, em Gálatas 5.22.

Mas o fruto do Espírito é: Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, caridade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.

O apóstolo Paulo põe o paradoxo das possibilidades de vida em duas expressões: o cristão não deve produzir as obras da carne, mas, antes, o fruto do Espírito Santo.

Nota-se que as obras da carne estão no plural, enquanto que o fruto do Espírito está no singular. O escritor dessa carta quis deixar claro que elas são múltiplas e que o crente não se deixa escravizar por todas elas de uma só vez. Paulo termina a frase, acrescentando um “e coisas semelhantes a estas”, deixando claro que a lista das possibilidades em permanecer no erro não se limita somente nos citados no versículo 19.

Ao se referir ao fruto, o autor da epístola recomenda como deve ser o “modus vivendi”, usando a expressão “fruto do Espírito” no singular.

Considerando que cada árvore só dá um tipo de fruto, segundo a sua espécie, constata-se que o fruto do Espírito é indivisível. É plano de Deus repartir os dons do Espírito, “distribuindo-os como lhe apraz, a cada um individualmente” (1 Co 12.11). Entretanto o Senhor não reparte o fruto, pois o fruto do Espírito não pode ser vivido e repartido entre os membros da igreja, dando-se a um o amor e a outro   longanimidade.

As virtudes do fruto do Espírito não são para ser escolhidas, mas devem compor, na sua totalidade, a bagagem de todo cristão, haja vista ser um só fruto.

Não existe hierarquia na relação entre as virtudes do fruto do Espírito, ou seja, o amor não é mais importante porque na relação dessas virtudes vem em primeiro lugar. O domínio próprio por sua vez, não é menos importante porque vem por último na lista. Ambos, como as demais virtudes, são aspectos do mesmo fruto.

 

OS ASPECTOS DO FRUTO SÃO:

O fruto do Espírito apresenta-se através de nove aspectos ou virtudes. Todos os seus aspectos são partes integrantes de um único desenvolvimento espiritual implantado pelo Espírito Santo.

A vida espiritual, na plenitude de seu desenvolvimento, não consiste em resoluções morais e esforços humanos, mas na proporção que o crente permite que o Espírito Santo dirija e influencie sua vida (Rm 8.5-14; 2 Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12-15; 2 Pe 1.4-9; Ef 3.19). Assim sendo, o resultado será o crescimento e maturidade espiritual.

Esses aspectos ou virtudes do fruto do Espírito, podem ser classificados da seguinte forma: a) Hábitos mentais; b) Qualidades sociais; c) Princípios gerais de conduta.

 

I – HÁBITOS MENTAIS

 

  • AMOR (gr. ágape) ou CARIDADE.

Diz respeito ao amor que Deus derramou em nosso coração, pelo Espírito Santo que nos foi dado, resultando no amor a Deus e ao próximo. Trata-se de um amor altruísta, não egoísta, nem egocêntrico, que ama até os inimigos. Visa principalmente o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1 Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).

 

  • GOZO (gr. Chara) ALEGRIA ou

Profundo regozijo do coração. O verdadeiro gosto de viver a alegria no Senhor, independente das circunstâncias. A sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, são bênçãos que pertencem aqueles que creem em Cristo (Sl 119.16; 2 Co 6.10; 12.9; Sl 30.5; Rm 12.12; Fp 4.4; 1 Pe 1.8; Fp 1.14).

  • PAZ (gr. eirene).

Quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial. Atitude de serenidade, calma e força, tranquilidade e quietude de espírito, produzida pelo Espírito Santo, mesmo na adversidade e nas tribulações. Essa paz deriva de nossa perfeita confiança em Deus, guardando os nossos corações da ansiedade (Sl 34.14; 119.165; Jo 14.27; Rm 15.33; Fp 4.6,7; 1 Ts 5.23; Hb 13.20).

 

II – QUALIDADES SOCIAIS

 

  • LONGANIMIDADE (gr. Makrothumia) ou PACIÊNCIA.

Paciência passiva debaixo das injúrias ou danos sofridos. Diz respeito à perseverança, ser tardio para irar-se ou para o desespero. Paciência para com as pessoas, suas fraquezas, falhas, ignorâncias, demoras. É o oposto da irritação, da ira, da vingança (Pv 16.32; Ef 4.2; Cl 3.12; 2 Tm 3.10; Hb 12.1).

 

  • BENIGNIDADE (gr. chrestotes).

Amabilidade, brandura, compaixão e misericórdia. A bondosa disposição para com o próximo. Não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Sl 103.17; Lc 6.35; Ef 4.32; Cl 3.12; 1 Pe 2.3).

 

  • BONDADE (gr. Anathosune) ou RETIDÃO.

Beneficência ativa. Zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal. Pode ser expressa em atos de bondade ou na repreensão e na correção do mal. É a generosidade em ação para com outras pessoas. É um passo além da benignidade (Sl 23.6; Pv 21.21; 11.17; Mt 21.12,13; Lc 7.37-50; At 11.24).

 

III – PRINCÍPIOS GERAIS DE CONDUTA

 

  • FIDELIDADE (gr. Pistis) ou .

Lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade. Confiabilidade total, lealdade absoluta. Qualidade que torna uma pessoa digna de confiança. O crente deve usar de fidelidade para com Deus e a sua Palavra, bem como para com o próximo (Mt 23.23; 25.23; Lc 16.10; Rm 3.3; 1 Co 4.2; 1 Tm 6.12; 4.7; Tt 2.10; Ap 2.10).

 

  • MANSIDÃO (gr. Prautes).

O temperamento especialmente cristão de não defender de unhas e dentes os próprios direitos. Moderação associada à força e à coragem. Descreve alguém que pode irar-se com equidade quando for necessário e também, humildemente submeter-se quando for necessário. Significa que brandura, humildade, suavidade e gentileza estão presentes (Sl 37.11; Mt 5.5; Ef 4.1,2; Cl 3.12; 2 Tm 2.25; 1 Pe 3,15). Exemplos: Jesus (confira Mt 11.29 com 23; Mc 3.5); Paulo (confira 2 Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9); Moisés (confira Nm 12.3 com Êx 32.19,20).

 

  • TEMPERANÇA (gr. egkrateia) ou DOMÍNIO PRÓPRIO.

Força interior pela qual o crente se controla. Autocontrole, autodisciplina, temperança e moderação. Controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais. Pureza (At 24.35; 1 Co 7.9; Fp 4.5; Tt 1.18; 2.5,6; 2 Pe 1.6).

 

DISTINÇÃO ENTRE OS DONS ESPITUAIS E O FRUTO DO ESPÍRITO

  1. Os dons são dados – O fruto é gerado.
  2. Os dons vêm após o batismo no Espírito Santo – O fruto é na conversão.
  3. Os dons são de fora para dentro – O fruto vem do interior.
  4. Os dons já vêm completos – O fruto requer tempo para crescer.
  5. Os dons são dotação de poder para o crente – O fruto expressa o seu caráter.
  6. Os dons vêm pelo Espírito – O fruto vem por Jesus.
  7. Os dons são distintos – O fruto é indivisível.
  8. Os dons conferem poder – O fruto confere autoridade.
  9. Os dons comunicam espiritualidade – O fruto irrepreensão.
  10. Os dons identificam o que fazemos – O fruto mostra o que somos.
  11. O mais interessante é que os dons podem ser imitados – Porém o fruto nunca o será.

O ensino final de Paulo sobre o Fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado.

O crente pode, e realmente deve praticar essas virtudes continuamente, nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.

O fruto do Espírito é uma obra espontânea do Espírito Santo dentro de nós. O Espírito produz certos traços de caráter que são encontrados na natureza de Cristo.

Se quisermos que o fruto do Espírito cresça em nós, devemos unir nossa vida à dele (Jo 15.4,5). Devemos conhecê-lo, amá-lo, lembrá-lo e imitá-lo.

Que o Senhor nosso Deus nos desperte e nos ajude a melhorar a qualidade de vida espiritual neste novo ano que se inicia, através da manifestação do fruto do Espírito, a fim de que glorifiquemos o Seu santo nome, cumprindo com a nossa sublime missão de sal da terra e luz do mundo, lembrando que o sal diz respeito ao nosso caráter cristão e a luz está relacionada com o nosso testemunho cristão.

Soli Deo Gloria”!

 

Pastor Wagner Tadeu dos Santos Gaby

Presidente da IEADC

 

 

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